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  • wmporto 7:25 em 18/10/2010 Link Permanente | Responder  

    O VOTO DO NORDESTE: para além do preconceito 

    via Portal do Nassif,

    Tânia Bacelar de Araujo*

    A ampla vantagem da candidata Dilma Rousseff no primeiro turno no Nordeste reacende o
    preconceito de parte de nossas elites e da grande mídia face às camadas mais pobres da
    sociedade brasileira e em especial face ao voto dos nordestinos. Como se a população mais
    pobre não fosse capaz de compreender a vida política e nela atuar em favor de seus
    interesses e em defesa de seus direitos. Não "soubesse" votar.

    Desta vez, a correlação com os programas de proteção social, em especial o "Bolsa
    Família" serviu de lastro para essas análises parciais e eivadas de preconceito. E como a
    maior parte da população pobre do país está no Nordeste, no Norte e nas periferias das
    grandes cidades (vale lembrar que o Sudeste abriga 25% das famílias atendidas pelo "Bolsa
    Família"), os "grotões"- como nos tratam tais analistas – teriam avermelhado. Mas os
    beneficiários destes Programas no Nordeste não são suficientemente numerosos para
    responder pelos percentuais elevados obtidos por Dilma no primeiro turno : mais de 2/3 dos
    votos no MA, PI e CE, mais de 50% nos demais estados, e cerca de 60% no total ( contra
    20% dados a Serra).

    A visão simplista e preconceituosa não consegue dar conta do que se passou nesta região
    nos anos recentes e que explica a tendência do voto para Governadores, parlamentares e
    candidatos a Presidente no Nordeste.

    A marca importante do Governo Lula foi a retomada gradual de políticas nacionais,
    valendo destacar que elas foram um dos principais focos do desmonte do Estado nos anos
    90. Muitas tiveram como norte o combate às desigualdades sociais e regionais do Brasil. E
    isso é bom para o Nordeste.

    Por outro lado, ao invés da opção estratégica pela "inserção competitiva" do Brasil na
    globalização – que concentra investimentos nas regiões já mais estruturadas e dinâmicas e
    que marcou os dois governos do PSDB -, os Governos de Lula optaram pela integração
    nacional ao fundar a estratégia de crescimento na produção e consumo de massa, o que
    favoreceu enormemente o Nordeste. Na inserção competitiva, o Nordeste era visto apenas
    por alguns "clusters" (turismo, fruticultura irrigada, agronegócio graneleiro…) enquanto
    nos anos recentes a maioria dos seus segmentos produtivos se dinamizaram, fazendo a
    região ser revisitada pelos empreendedores nacionais e internacionais.

    Por seu turno, a estratégia de atacar pelo lado da demanda, com políticas sociais, política de
    reajuste real elevado do salário mínimo e a de ampliação significativa do crédito, teve
    impacto muito positivo no Nordeste. A região liderou – junto com o Norte – as vendas no
    comercio varejista do país entre 2003 e 2009. E o dinamismo do consumo atraiu
    investimentos para a região. Redes de supermercados, grandes magazines, indústrias
    alimentares e de bebidas, entre outros, expandiram sua presença no Nordeste ao mesmo
    tempo em que as pequenas e medias empresas locais ampliavam sua produção.

    Além disso, mudanças nas políticas da Petrobras influíram muito na dinâmica econômica
    regional como a decisão de investir em novas refinarias (uma em construção e mais duas
    previstas) e em patrocinar – via suas compras – a retomada da indústria naval brasileira, o
    que levou o Nordeste a captar vários estaleiros.
    Igualmente importante foi a política de ampliação dos investimentos em infra-estrutura –
    foco principal do PAC – que beneficiou o Nordeste com recursos que somados tem peso no
    total dos investimentos previstos superior a participação do Nordeste na economia nacional.

    No seu rastro,a construção civil "bombou" na região.

    A política de ampliação das Universidades Federais e de expansão da rede de ensino
    profissional também atingiu favoravelmente o Nordeste, em especial cidades médias de seu
    interior. Merece destaque ainda a ampliação dos investimentos em C&T que trouxe para
    Universidades do Nordeste a liderança de Institutos Nacionais ? antes fortemente
    concentrados no Sudeste – dentre os quais se destaca o Instituto de Fármacos ( na UFPE) e
    o Instituto de Neurociências instalado na região metropolitana de Natal sob a liderança do
    cientista brasileiro Miguel Nicolelis que organizará uma verdadeira ?cidade da ciência?
    num dos municípios mais pobres do RN ( Macaíba).

    Igualmente importante foi quebrar o mito de que a agricultura familiar era inviável. O
    PRONAF mais que sextuplicou seus investimentos entre 2002 e 2010 e outros programas e
    instrumentos de política foram criados ( seguro ? safra , Programa de Compra de
    Alimentos, estimulo a compras locais pela Merenda Escolar, entre outros) e o recente
    Censo Agropecuário mostrou que a agropecuária de base familiar gera 3 em cada 4
    empregos rurais do país e responde por quase 40% do valor da produção agrícola nacional.

    E o Nordeste se beneficiou muito desta política, pois abriga 43% da população
    economicamente ativa do setor agrícola brasileiro.

    Resultado: o Nordeste liderou o crescimento do emprego formal no país com 5,9% de
    crescimento ao ano entre 2003 e 2009, taxa superior a de 5,4% registrada para o Brasil
    como um todo, e aos 5,2% do Sudeste, segundo dados da RAIS.

    Daí a ampla aprovação do Governo Lula em todos os Estados e nas diversas camadas da
    sociedade nordestina se refletir na acolhida a Dilma. Não é o voto da submissão – como
    antes – da desinformação, ou da ignorância. É o voto da auto- confiança recuperada, do
    reconhecimento do correto direcionamento de políticas estratégicas e da esperança na
    consolidação de avanços alcançados – alguns ainda incipientes e outros insuficientes. É o
    voto na aposta de que o Nordeste não é só miséria (e, portanto, "Bolsa Família"), mas uma
    região plena de potencialidades.

    *Tânia Bacelar de Araujo é especialista em desenvolvimento regional, economista,
    socióloga e professora do Departamento de Economia da UFPE (Universidade Federal de
    Pernambuco).

     
  • wmporto 15:58 em 12/10/2010 Link Permanente | Responder  

    Manifesto Filósofos Pró-Dilma 

    Versão resumida

    Professores e pesquisadores de Filosofia, abaixo assinados, manifestamos nosso apoio à candidatura de Dilma Rousseff à Presidência da República. Seguem-se nossas razões.

    Os oito anos de governo Lula constituíram um formidável movimento na direção da construção de uma sociedade livre, justa e solidária, por meio da redução das desigualdades sociais e regionais e da luta pela erradicação da pobreza, objetivos expressos na Constituição da República Federativa do Brasil. Nesses oito anos, a pobreza foi reduzida em mais de 40%; mais de 30 milhões de brasileiros ascenderam à classe média; a desigualdade de renda sofreu uma queda palpável. Tais políticas assinalam o compromisso do governo Lula com a realização dos objetivos de nossa República. Como ministra, Dilma Rousseff exerceu um papel central no sucesso dessa gestão. Cremos que sua chegada à Presidência representará a continuidade, aprofundamento e aperfeiçoamento do combate à pobreza e à desigualdade que marcou os últimos oito anos.

    Há razões para duvidar que um eventual governo José Serra ofereça os mesmos prospectos. É notório o desprezo com que os programas sociais do atual governo – em particular o Bolsa Família – foram inicialmente recebidos pelos atores da coligação que sustenta o candidato. Frente ao sucesso de tais programas, José Serra vem agora verbalizar sua adesão a eles, quando não arroga para si sua primeira concepção. Não tendo ainda, passado o primeiro turno, apresentado um programa de governo, ele nos lança toda sorte de promessas – algumas das quais em franco contraste com sua gestão como governador de São Paulo – sem esclarecer como concretizá-las. O caráter errático de sua campanha justifica ceticismo quanto à consistência de seus compromissos. Seu discurso pautado por conveniências eleitorais indica aversão à responsabilidade que se espera de nossos representantes.

    A cidadania exige o que Kant caracterizou como independência: o cidadão deve ser “seu próprio senhor”, por conseguinte possuir “alguma propriedade (e qualquer habilidade, ofício, arte ou ciência pode contar como propriedade) que lhe possibilite o sustento”. Os programas de transferência de renda implementados pelo governo não apenas ajudaram a proteger o país da crise econômica mundial – por induzirem o crescimento do mercado interno –, mas fortaleceram nossa democracia ao criar bases concretas para a cidadania de milhões de brasileiros. Se atentarmos ao seu formato institucional, veremos que eles proporcionam condições para a progressiva autonomia de seus beneficiários, ao invés de prendê-los em um círculo de dependência. Que mulheres e homens beneficiados por tais programas confiram seus votos às forças que lutaram por implementá-los não deve surpreender ninguém – trata-se, afinal, da lógica mesma da governança democrática.

    Compromisso com a expansão e qualificação da universidade

    Durante os oito anos do governo anterior, não se criou uma nova universidade federal sequer; os equipamentos das universidades federais viram-se em vergonhosa penúria; as verbas de pesquisa estiveram constantemente à mercê de contingenciamentos; o arrocho salarial, aliado à falta de perspectivas e reconhecimento, favoreceu a aposentadoria precoce de inúmeros docentes, sem a realização de concursos públicos para a reposição satisfatória de professores. O consórcio partidário que cerca a candidatura José Serra – o mesmo que deu guarida ao governo anterior – deve explicar por que e como não reeditará essa situação.

    O atual governo tem agido não apenas para a recuperação do ensino superior e da pesquisa universitária, após anos de sucateamento, como tem implementado políticas para sua expansão e qualificação – com resultados já reconhecidos pela comunidade científica internacional. O PROUNI – atacado por um dos partidos da coligação de José Serra – possibilitou o acesso à universidade para mais de 700.000 brasileiros de baixa renda. Através do REUNI, as universidades federais têm assistido a um grande crescimento na infraestrutura e na contratação, mediante concurso público, de docentes qualificados. Programas de fomento, levados a cabo pelo CNPq e pela CAPES, têm proporcionado um sensível aumento da pesquisa em ciência e tecnologia, premissa central para o desenvolvimento do país. Foram criadas 14 novas universidades federais, testemunhando-se a interiorização do ensino superior no Brasil, levando o conhecimento às regiões mais pobres, menos desenvolvidas e mais necessitadas de apoio do Estado.

    Em defesa do Estado laico e do respeito à diversidade de orientações espirituais

    A Constituição Federal é clara na afirmação do caráter laico do Estado brasileiro. É garantida aos cidadãos brasileiros a liberdade de crença e consciência, não se admitindo que identidades religiosas se imponham como condição do exercício de direitos e do respeito à dignidade fundamental de cada um. É, pois, com preocupação que testemunhamos a instrumentalização do discurso religioso na presente corrida presidencial.

    Em particular, deploramos a guarida de templos ao proselitismo a favor ou contra esta ou aquela candidatura – em clara afronta à legislação eleitoral. Dilma Rousseff, em particular, tem sido alvo de campanha difamatória baseada em ilações sobre suas convicções espirituais e na deliberada distorção das posições do atual governo sobre o aborto e a liberdade de manifestação religiosa. Conclamamos ambos os candidatos ora em disputa a não cederem às intimidações dos intolerantes. Temos confiança de que um eventual governo Dilma Rousseff preservará o caráter laico do Estado brasileiro e conduzirá adequadamente a discussão de temas que, embora sensíveis a religiosidades particulares, são de notório interesse público.

    Por essas razões, apoiamos a candidatura de Dilma Rousseff à Presidência da República. Para o povo brasileiro continuar em sua jornada de reencontro consigo mesmo. Para o Brasil continuar mudando!

    ***

    Entre os signatários do manifesto encontram-se Oswaldo Porchat Pereira, Marillena Chauí, Wolfgang Leo Maar, Guido Antônio de Almeida, Raul Landim Filho, Andrea Loparic, Manfredo Araújo de Oliveira, Jacyntho Lins Brandão, João Quartim de Moraes, Virginia de Araujo Figueiredo, Vladimir Pinheiro Safatle, Newton Bignotto, João Vergílio Gallerani Cuter, Ernesto Perini Santos, Paulo Francisco Estrella Faria, Roberto Horácio de Sá Pereira, Robson Ramos dos Reis, Ethel Menezes Rocha, Alfredo Carlos Storck, Vinicius de Figueiredo.

    O texto integral pode ser lido, e está aberto a adesões, em: https://sites.google.com/site/manifestofilosofosprodilma/

     
  • wmporto 23:21 em 08/10/2010 Link Permanente | Responder
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    A mídia comercial em guerra 

    Por Leonado Boff em 5/10/2010, via Observatório da Imprensa

    Sou profundamente a favor da liberdade de expressão, em nome da qual fui punido com o “silêncio obsequioso”pelas autoridades do Vaticano. Sob risco de ser preso e torturado, ajudei a editora Vozes a publicar corajosamente o Brasil Nunca Mais, onde se denunciavam as torturas, usando exclusivamente fontes militares, o que acelerou a queda do regime autoritário.

    Esta história de vida me avaliza a fazer as críticas que ora faço ao atual enfrentamento entre o presidente Lula e a mídia comercial, que reclama ser tolhida em sua liberdade. O que está ocorrendo já não é um enfrentamento de ideias e de interpretações e o uso legítimo da liberdade da imprensa. Está havendo um abuso da liberdade de imprensa que, na previsão de uma derrota eleitoral, decidiu mover uma guerra acirrada contra o presidente e a candidata Dilma Rousseff. Nessa guerra, vale tudo: o factoide, a ocultação de fatos, a distorção e a mentira direta.

    Precisamos dar o nome a esta mídia comercial. São famílias que, quando veem seus interesses comerciais e ideológicos contrariados, se comportam como uma famiglia mafiosa. São donos privados que pretendem falar para todo o Brasil e manter sob tutela a assim chamada opinião pública. São os donos do Estado de S. Paulo, da Folha de S.Paulo, de O Globo, da revista Veja, na qual se instalou a razão cínica e o que há de mais falso e chulo da imprensa brasileira. Estes estão a serviço de um bloco histórico, assentado sobre o capital, que sempre explorou o povo e que não aceita um presidente que vem deste povo. Mais que informar e fornecer material para a discussão pública, pois essa é a missão da imprensa, esta mídia empresarial se comporta como um feroz partido de oposição.

    Uma situação simplesmente intolerável

    Na sua fúria, quase desesperados e inapelavelmente derrotados, seus donos, editorialistas e analistas não têm o mínimo respeito devido à mais alta autoridade do pais, o presidente Lula. Nele veem apenas um peão a ser tratado com o chicote da palavra que humilha.

    Mas há um fato que eles não conseguem digerir em seu estômago elitista. Custa-lhes aceitar que um operário, nordestino, sobrevivente da grande tribulação dos filhos da pobreza, chegasse a ser presidente. Este lugar, a Presidência, assim pensam, cabe a eles, os ilustrados, os articulados com o mundo, embora não consigam se livrar do complexo de vira-latas, pois se sentem meramente menores e associados ao grande jogo mundial. Para eles, o lugar do peão é na fábrica, produzindo.

    Como o mostrou o grande historiador José Honório Rodrigues (Conciliação e Reforma) “a maioria dominante, conservadora ou liberal, foi sempre alienada, antiprogressista, antinacional e não contemporânea. A liderança nunca se reconciliou com o povo. Nunca viu nele uma criatura de Deus, nunca o reconheceu, pois gostaria que ele fosse o que não é. Nunca viu suas virtudes nem admirou seus serviços ao país, chamou-o de tudo, Jeca Tatu, negou seus direitos, arrasou sua vida e logo que o viu crescer ela lhe negou, pouco a pouco, sua aprovação, conspirou para colocá-lo de novo na periferia, no lugar que continua achando que lhe pertence (p.16)”.

    Pois esse é o sentido da guerra que movem contra Lula. É uma guerra contra os pobres que estão se libertando. Eles não temem o pobre submisso. Eles têm pavor do pobre que pensa, que fala, que progride e que faz uma trajetória ascendente, como Lula. Trata-se, como se depreende, de uma questão de classe. Os de baixo devem ficar em baixo. Ocorre que alguém de baixo chegou lá em cima. Tornou-se o presidente de todos os brasileiros. Isso, para eles, é simplesmente intolerável.

    A esperança de que tudo pode ficar ainda melhor

    Os donos e seus aliados ideológicos perderam o pulso da história. Não se deram conta de que o Brasil mudou. Surgiram redes de movimentos sociais organizados, de onde vêm Lula e tantas outras lideranças. Não há mais lugar para coronéis e “fazedores de cabeça” do povo. Quando Lula afirmou que “a opinião pública somos nós” – frase tão distorcida por essa mídia raivosa –, quis enfatizar que o povo organizado e consciente arrebatou a pretensão da mídia comercial de ser a formadora e a porta-voz exclusiva da opinião pública. Ela tem que renunciar à ditadura da palavra escrita, falada e televisionada e disputar com outras fontes de informação e de opinião.

    O povo, cansado de ser governado pelas classes dominantes, resolveu votar em si mesmo. Votou em Lula como o seu representante. Uma vez no governo, operou uma revolução conceptual, inaceitável para elas. O Estado não se fez inimigo do povo, mas o indutor de mudanças profundas que beneficiaram mais de 30 milhões de brasileiros. De miseráveis se fizeram pobres laboriosos, de pobres laboriosos se fizeram classe média baixa e de classe média baixa se fizeram classe média. Começaram a comer, a ter luz em casa, a poder mandar seus filhos para a escola, a ganhar mais salário, enfim, a melhorar de vida.

    Outro conceito inovador foi o desenvolvimento com inclusão social e distribuição de renda. Antes, havia apenas desenvolvimento/crescimento, que beneficiava aos já beneficiados à custa das massas destituídas e com salários de fome. Agora, ocorreu visível mobilização de classes, gerando satisfação das grandes maiorias e a esperança que tudo ainda pode ficar melhor. Concedemos que no governo atual há um déficit de consciência e de práticas ecológicas. Mas importa reconhecer que Lula foi fiel à sua promessa de fazer amplas políticas públicas na direção dos mais marginalizados.

    O caminho novo

    O que a grande maioria almeja é manter a continuidade deste processo de melhora e de mudança. Ora, esta continuidade é perigosa para a mídia comercial que assiste, assustada, ao fortalecimento da soberania popular, que se torna crítica, não mais manipulável e com vontade de ser ator dessa nova história democrática do Brasil. Vai ser uma democracia cada vez mais participativa e não apenas delegatícia. Esta abria amplo espaço à corrupção das elites e dava preponderância aos interesses das classes opulentas e ao seu braço ideológico, que é a mídia comercial. A democracia participativa escuta os movimentos sociais, faz do Movimento dos Sem Terra (MST) – odiado especialmente pela Veja (que faz questão de não ver…) – protagonista de mudanças sociais não somente com referência à terra, mas também ao modelo econômico e às formas cooperativas de produção.

    O que está em jogo neste enfrentamento entre a mídia comercial e Lula/Dilma é a questão: que Brasil queremos? Aquele injusto, neocolonial, neoglobalizado e no fundo, retrógrado e velhista? Ou o Brasil novo com sujeitos históricos novos, antes sempre mantidos à margem e agora despontando com energias novas, para construir um Brasil que ainda nunca tínhamos visto antes?

    Esse Brasil é combatido na pessoa do presidente Lula e da candidata Dilma. Mas estes representam o que deve ser. E o que deve ser tem força. Irão triunfar a despeito das má vontade deste setor endurecido da mídia comercial e empresarial. A vitória de Dilma dará solidez a este caminho novo ansiado e construído com suor e sangue por tantas gerações de brasileiros.

    Fonte: Observatório da Imprensa; http://www.observatoriodaimprensa.com.br/artigos.asp?cod=610JDB010 Acesso em 07/10/10 às 23h21m.

     
  • wmporto 22:37 em 08/10/2010 Link Permanente | Responder
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    Cinismo e dissimulação 

    Por Marco Antonio Bin em 5/10/2010, via Observatório da Imprensa

    Não me deixo mais levar pelas oscilações tempestivas da mídia dominante, que neste mês, como em nenhum outro, uniu suas forças para dinamitar a candidatura Dilma. Danem-se as consequências. Essa tipo de atitude desgasta e aborrece o espírito, além de nada acrescentar para a construção da análise crítica.

    A preocupação da velha mídia passa longe de organizar uma contestação sustentável e propositiva, além de incorrer no erro de cumprir o papel de oposição ao governo, fiscalizando apenas um lado e praticamente poupando de qualquer exposição as forças com as quais compõe o jogo político.

    Me faz lembrar que há muito não se vê uma crítica estrutural sobre o governo municipal e estadual, em São Paulo; seus governantes passam incólumes e, quando é inevitável a postura mais acerbada como foco da matéria jornalística, ela é trabalhada como uma disfunção pontual da administração. Para exemplificar, veja como foi abordado o desabamento do metrô, ocorrido na gestão Serra. Muita ponderação e cuidado na maneira asséptica de relatar o fato, poupando os grandes responsáveis pela tragédia de uma investigação mais incisiva e duradoura.

    Contaminação por rancor e ódio

    A verdade, nesse caso, funcionou em nome da preservação de um governo simpático aos desígnios midiáticos. Nenhum órgão de imprensa interrogou o governo estadual (ou o municipal), cobrando-os em suas responsabilidades, nem tampouco houve um transbordamento para temas correlatos, com denúncias renovadas sobre pontos suspeitos no ocorrido. E não que fosse necessário, mas não se descambou para a desmoralização dos agentes envolvidos, como também o tom dos comentaristas não alcançou aquele tom jocoso e típico dos bobos da corte, que divertem sem nada acrescentar…

    Quando o caso envolve o governo federal, o que temos à exaustão é uma atuação naturalmente agressiva, formulando-se suspeitas para posterior averiguação. Normalmente desvela-se um indício, que se desdobra em um conjunto sistemático de denúncias não-comprovadas (factoides) ou turbinadas fora de seu contexto, sustentadas por um pool de veículos midiáticos que se revezam nos golpes. Sobrepõem-se o tom calhorda e a insinuação supérflua, condenando logo de saída. Se houver algum crime, todos saberemos bem depois; caso contrário, a reparação, se ocorrer, será breve e discreta.

    A sucessão de invectivas montadas para expor e condenar o governo federal delimita um componente cínico (porque se assume como parte do jogo democrático…) e dissimulado (porque mascara seus perversos objetivos…) que tem caracterizado o discurso midiático. Para o cidadão comum, acompanhar essas incongruências revela-se um fardo extenuante, que o desestimula em relação ao debate político. O cidadão urbano moderno, com todas as disponibilidades tecnológicas para o acesso à informação, não tem o menor interesse em se contaminar com tanto rancor e ódio…

    Insolência, abuso e deturpação

    Esse tem sido o modelo de desinformação praticado não só por meios hegemônicos de comunicação brasileiros, mas também pelos argentinos e venezuelanos, para ficar nos exemplos mais notáveis na América do Sul. O que aí se reproduz é o que há de mais sórdido nessa função: a cizânia social. Tais veículos midiáticos talvez se preocupem em informar, mas cultivando o sensacionalismo político e, sempre que possível, demarcando diferenças, no lugar de despertar, relevar, preservar os valores comuns. Longe de contribuir para o debate nacional, produzem o discurso do oportunismo individual, além de assentar ideologias que assegurem o privilégio de seus interesses.

    Agora, cá pra nós, terrível mesmo é essa tensão criada pela tal bala de prata, o tal golpe decisivo a ser desfechado pela mídia contra Dilma. Espera-se qualquer coisa, seja a lengalenga das pequenas acusações, fogo brando e constante, como o ataque brutal e inesperado, às vésperas das eleições…

    Não é a imaginação do convívio democrático e tolerante que estimula esse clima deletério, mas a insolência de quem usa e abusa do direito de editar, deturpando os fatos e tripudiando sobre a verdade…

    Durma-se com um barulho desses!…

    Fonte: Observatório da Imprensa; http://www.observatoriodaimprensa.com.br/artigos.asp?cod=610JDB006 Acesso em 07/10/2010 às 22h37m.

     
  • wmporto 21:22 em 06/10/2010 Link Permanente | Responder  

    Eleições no Ceará. Hegemonia ou convergência? 

    Em um lugar como o Ceará, que tem um enorme passivo estrutural e grandes sonhos a serem tornados realidade, não dá para ficar mais pensando pequeno. O que as urnas revelaram é que o eleitor aceitou a experiência de convergência liderada pelo governador Cid Gomes.

    Flávio Paiva

    A nova configuração política instalada no Ceará com a retirada de Tasso Jereissati, derrotado em sua tentativa de reeleição ao Senado, e com a confirmação de Cid Gomes, expressivamente reeleito governador em primeiro turno, mais do que reduzida a uma situação de hegemonia, precisa ser interpretada como construção de uma convergência de diferentes correntes políticas em favor de um determinado projeto para o Estado e para o País.
    A elevação de Cid ao patamar de principal liderança política do estado quebra a inércia de uma desconfortável falta de clareza nas relações políticas que, nas últimas décadas, vinham determinando por parte de poucos o destino de muitos. Abre-se, com as urnas de três de outubro passado, um novo capítulo a ser escrito na história cearense; um capítulo de acesso à nova curva de possibilidades para a potencialização da conjunção das forças vitoriosas.
    O que para alguns pode parecer hegemonia, para outros é possível ser lido como convergência de vetores, porque faz parte de um processo político, de cunho econômico e social, que pode levar a relações de poder fundadas na autoridade partilhada. O que está em questão é muito mais do que a formação de um bloco de afinidades, mas a formação de um pensamento voltado para uma mudança que sai de uma posição anterior de dependência para uma posição de mais autonomia e proatividade.
    A complexidade do mundo contemporâneo não recomenda que desperdicemos oportunidades de sinergias dos nossos motores da vida social. Pensar em convergência é pensar a aproximação de forças diferentes com o mesmo propósito. A convergência maximiza a prática da ação política. O que está polarizado nem sempre pode ser considerado democrático. A lógica da polarização está sempre querendo se opor à lógica da hegemonia. Não é bem assim. Há momentos que a convergência se dá pela descoberta de um regime comum de valores e de interações entre autônomos.
    Pelo trabalho intenso e profícuo que o governo do Ceará vem desenvolvendo é natural uma coexistência de diferentes agentes políticos no mesmo espaço-tempo. Essa agregação de interesses foi enxergada pelo eleitor tanto como legitimidade do governante para continuar no cargo, como de concertação social. Ao abordarem essa situação de convergência como simples hegemonia, as contradições teóricas e as categorias analíticas dominantes deixam de contribuir para a necessária reinvenção da cultura política no Ceará.
    Cada vez mais a sociedade toma consciência da riqueza existente na sua diversidade. Com isso, a partidarização extremada do poder, a procura pela solidão da ideologia única, já não têm mais sentido. As disputas provincianas do partido azul contra o partido vermelho viraram conversa de boi-bumbá. Para ter significado, a democracia deixou de ser apenas o governo da maioria para contemplar o respeito às minorias. Este é o novo senso comum sobre o qual parece estar montada a base de sustentação do governador Cid Gomes.
    Com a construção dessa convergência, estão criadas as condições para a superação da dicotomia de simplesmente estar a favor ou contra. Uma nova realidade política está estabelecida no Ceará e essa nova realidade conta com o movimento de convergência de lideranças a fim de assegurar a estabilidade fundamental para o fazer acontecer. Todo governo precisa de maioria para governar, seja por meio de alianças estratégicas, coalizões, coligações eleitorais ou na tática da cooptação de bancadas passivas ou passíveis de se vender.
    O que vinha acontecendo no Ceará era embaraçoso. A ambigüidade do PSDB com relação ao governo do PSB era paralisante. Enquanto houve a suposta chance de o governador Cid Gomes apoiar Tasso para a reeleição senatorial, todo o partido ficou à deriva. No momento em que as circunstâncias falaram mais alto do que os desejos e as expectativas pessoais do então chefe político se frustraram, o partido foi apresentado ao eleitor como oposição. O resultado não poderia ser diferente de uma falência múltipla dos órgãos vitais do tucanato cearense.
    Pelo menos em duas ocasiões de intensa sensibilidade política, Cid demonstrou que não chegou aonde chegou para entrar nesse tipo de relação chove-não-molha. Manteve a palavra de apoio à reeleição da prefeita Luizianne Lins (2008), a despeito da candidatura da sua ex-cunhada Patrícia Gomes, e manteve o acordo com o presidente Lula, para a eleição de Eunício Oliveira e José Pimentel para as duas vagas do Ceará no Senado (2010). Seja como tenham sido as negociações, em ambos os casos o governador optou pela ruptura com o velho modelo da dubiedade, que vinha permeando essas relações.
    Ao mudar de página o Ceará passa a contar com novas e expressivas lideranças nas mais variadas instâncias políticas. Nomes como o do recém-eleito senador José Pimentel, dos novos deputados federais Artur Bruno e João Ananias, e dos federais reeleitos Eudes Xavier, Chico Lopes e Ariosto Holanda passam a constituir blocos de referência em Brasília, enquanto os estaduais Camilo Santana, Nelson Martins, Professor Pinheiro, Mauro Filho e Ivo Gomes atuam na Assembleia Legislativa. Sem contar com o vice-governador eleito Domingos Filho e até com a oposição legítima e necessária de parlamentares como Heitor Férrer.
    Cito alguns dos nossos políticos reconhecidos como sérios para ilustrar o quanto esse novo momento político cearense demonstra de estabilidade nas escalas das lideranças políticas. Não vejo como políticos desse nível de compromisso com seus eleitores e seus ideais possam servir a uma hegemonia. A consagração do governador Cid Gomes está exatamente na capacidade que ele demonstra ter de catalisar agregações individuais e coletivas, seja no plano político-partidário, seja no âmbito das relações econômicas, sociais e culturais.
    Sabendo ou não que o Estado é um processo e não uma entidade ou uma empresa, o eleitor acaba por contribuir com a sua transformação ao exercer seus direitos de cidadania, como é o caso do voto. Faz bem ver que esses direitos já não são mais tão confiscáveis como em tempos atrás. Na minha coluna no Diário do Nordeste (“Para entender as pesquisas”, 29/07/2010), tomei as eleições para o Senado como exemplo da perversa interferência das pesquisas na percepção das intenções de voto. Mostrei que em agosto de 2002 o candidato Tasso Jereissati aparecia nas pesquisas com 75% das preferências e que na hora da apuração, as urnas só confirmaram 31%. No momento que publiquei esse comentário, Tasso aparecia com 59% (chegou a 63%) e eu questionei a insuflação do número. Abertas as urnas, ele tinha apenas 23%.
    A agenda estadual de desenvolvimento precisa de convergência para se realizar na sua máxima extensão. O fato de existirem muitos atores dispostos a caminhar juntos, a arregaçar as mangas em busca de um destino comum não caracteriza hegemonia. Diferentemente de uma situação de convergência a hegemonia é caracterizada pela ausência de conflitos e pela eliminação dos embates entre interesses legítimos. Articular as vontades individuais e coletivas é uma tarefa sempre muito desafiadora. Entretanto é essencial que isso seja feito, simplesmente porque o desenvolvimento deve resultar dos desejos e da capacidade de construção da sociedade.
    Em um lugar como o Ceará, que tem um enorme passivo estrutural e grandes sonhos a serem tornados realidade, não dá para ficar mais pensando pequeno. O que as urnas revelaram é que o eleitor aceitou a experiência de convergência liderada pelo governador Cid Gomes.

    (*) Flávio Paiva é jornalista, colunista semanal do Diário do Nordeste e autor dentre outros, dos livros “Como Braços de Equilibristas” (Edições UFC), “Mobilização Social no Ceará – 16 anos de tentativas e 1 promessa de diálogo” (Edições Demócrito Rocha) e “Eu era assim – Infância Cultura de Consumismo” (Cortez Editora).
    flaviopaiva@fortalnet.com.br
    http://www.flaviopaiva.com.br

     
  • wmporto 13:34 em 06/10/2010 Link Permanente | Responder  

    DOIS PESOS… 

    por Maria Rita Kehl, no Estadão, via Viomundo

    Este jornal teve uma atitude que considero digna: explicitou aos leitores que apoia o candidato Serra na presente eleição. Fica assim mais honesta a discussão que se faz em suas páginas. O debate eleitoral que nos conduzirá às urnas amanhã está acirrado. Eleitores se declaram exaustos e desiludidos com o vale-tudo que marcou a disputa pela Presidência da República. As campanhas, transformadas em espetáculo televisivo, não convencem mais ninguém. Apesar disso, alguma coisa importante está em jogo este ano. Parece até que temos luta de classes no Brasil: esta que muitos acreditam ter sido soterrada pelos últimos tijolos do Muro de Berlim. Na TV a briga é maquiada, mas na internet o jogo é duro.

    Se o povão das chamadas classes D e E – os que vivem nos grotões perdidos do interior do Brasil – tivesse acesso à internet, talvez se revoltasse contra as inúmeras correntes de mensagens que desqualificam seus votos. O argumento já é familiar ao leitor: os votos dos pobres a favor da continuidade das políticas sociais implantadas durante oito anos de governo Lula não valem tanto quanto os nossos. Não são expressão consciente de vontade política. Teriam sido comprados ao preço do que parte da oposição chama de bolsa-esmola.

    Uma dessas correntes chegou à minha caixa postal vinda de diversos destinatários. Reproduzia a denúncia feita por “uma prima” do autor, residente em Fortaleza. A denunciante, indignada com a indolência dos trabalhadores não qualificados de sua cidade, queixava-se de que ninguém mais queria ocupar a vaga de porteiro do prédio onde mora. Os candidatos naturais ao emprego preferiam viver na moleza, com o dinheiro da Bolsa-Família. Ora, essa. A que ponto chegamos. Não se fazem mais pés de chinelo como antigamente. Onde foram parar os verdadeiros humildes de quem o patronato cordial tanto gostava, capazes de trabalhar bem mais que as oito horas regulamentares por uma miséria? Sim, porque é curioso que ninguém tenha questionado o valor do salário oferecido pelo condomínio da capital cearense. A troca do emprego pela Bolsa-Família só seria vantajosa para os supostos espertalhões, preguiçosos e aproveitadores se o salário oferecido fosse inconstitucional: mais baixo do que metade do mínimo. R$ 200 é o valor máximo a que chega a soma de todos os benefícios do governo para quem tem mais de três filhos, com a condição de mantê-los na escola.

    Outra denúncia indignada que corre pela internet é a de que na cidade do interior do Piauí onde vivem os parentes da empregada de algum paulistano, todos os moradores vivem do dinheiro dos programas do governo. Se for verdade, é estarrecedor imaginar do que viviam antes disso. Passava-se fome, na certa, como no assustador Garapa, filme de José Padilha. Passava-se fome todos os dias. Continuam pobres as famílias abaixo da classe C que hoje recebem a bolsa, somada ao dinheirinho de alguma aposentadoria. Só que agora comem. Alguns já conseguem até produzir e vender para outros que também começaram a comprar o que comer. O economista Paul Singer informa que, nas cidades pequenas, essa pouca entrada de dinheiro tem um efeito surpreendente sobre a economia local. A Bolsa-Família, acreditem se quiserem, proporciona as condições de consumo capazes de gerar empregos. O voto da turma da “esmolinha” é político e revela consciência de classe recém-adquirida.

    O Brasil mudou nesse ponto. Mas ao contrário do que pensam os indignados da internet, mudou para melhor. Se até pouco tempo alguns empregadores costumavam contratar, por menos de um salário mínimo, pessoas sem alternativa de trabalho e sem consciência de seus direitos, hoje não é tão fácil encontrar quem aceite trabalhar nessas condições. Vale mais tentar a vida a partir da Bolsa-Família, que apesar de modesta, reduziu de 12% para 4,8% a faixa de população em estado de pobreza extrema. Será que o leitor paulistano tem ideia de quanto é preciso ser pobre, para sair dessa faixa por uma diferença de R$ 200? Quando o Estado começa a garantir alguns direitos mínimos à população, esta se politiza e passa a exigir que eles sejam cumpridos. Um amigo chamou esse efeito de “acumulação primitiva de democracia”.

    Mas parece que o voto dessa gente ainda desperta o argumento de que os brasileiros, como na inesquecível observação de Pelé, não estão preparados para votar. Nem todos, é claro. Depois do segundo turno de 2006, o sociólogo Hélio Jaguaribe escreveu que os 60% de brasileiros que votaram em Lula teriam levado em conta apenas seus próprios interesses, enquanto os outros 40% de supostos eleitores instruídos pensavam nos interesses do País. Jaguaribe só não explicou como foi possível que o Brasil, dirigido pela elite instruída que se preocupava com os interesses de todos, tenha chegado ao terceiro milênio contando com 60% de sua população tão inculta a ponto de seu voto ser desqualificado como pouco republicano.

    Agora que os mais pobres conseguiram levantar a cabeça acima da linha da mendicância e da dependência das relações de favor que sempre caracterizaram as políticas locais pelo interior do País, dizem que votar em causa própria não vale. Quando, pela primeira vez, os sem-cidadania conquistaram direitos mínimos que desejam preservar pela via democrática, parte dos cidadãos que se consideram classe A vem a público desqualificar a seriedade de seus votos.

     
  • wmporto 13:22 em 06/10/2010 Link Permanente | Responder  

    Leonardo Boff: Por uma aliança entre Marina e Dilma 

    Leonardo Boff apóia aliança entre Marina e Dilma

    Há dois projetos em ação: um é o neoliberal ainda vigente no mundo e no Brasil apesar da derrota de suas principais teses na crise de 2008. Esse nome visa dissimular aos olhos de todos, o caráter altamente depredador do processo de acumulação, concentrador de renda que tem como contrapartida o aumento vertiginoso das injustiças, da exclusão e da fome. José Serra representa esse ideário. O outro projeto é o da democracia social e popular do PT. Sua base social é o povo organizado e todos aqueles que pela vida afora se empenharam por um outro Brasil. Dilma Rousseff se propõe garantir e aprofundar a continuidade deste projeto. É aquí que entra a missão de Marina Silva com seus cerca de vinte milhões de votos. O artigo é de Leonardo Boff.

    Leonardo Boff, na Carta Maior

    O Brasil está ainda em construção. Somos inteiros mas não acabados. Nas bases e nas discussões políticas sempre se suscita a questão: que Brasil finalmente queremos?

    É então que surgem os vários projetos políticos elaborados a partir de forças sociais com seus interesses econômicos e ideológicos com os quais pretendem moldar o Brasil.

    Agora, no segundo turno das eleições presidenciais, tais projetos repontam com clareza. É importante o cidadão consciente dar-se conta do que está em jogo para além das palavras e promessas e se colocar criticamente a questão: qual dos projetos atende melhor às urgências das maiorias que sempre foram as “humilhadas e ofendidas” e consideradas “zeros econômicos” pelo pouco que produzem e consomem.

    Essas maiorias conseguiram se organizar, criar sua consciência própria, elaborar o seu projeto de Brasil e digamos, sinceramente, chegaram a fazer de alguém de seu meio, Presidente do pais, Luiz Inácio Lula da Silva. Fou uma virada de magnitude histórica.

    Há dois projetos em ação: um é o neoliberal ainda vigente no mundo e no Brasil apesar da derrota de suas principais teses na crise econômico-financeira de 2008. Esse nome visa dissimular aos olhos de todos, o caráter altamente depredador do processo de acumulação, concentrador de renda que tem como contrapartida o aumento vertiginoso das injustiças, da exclusão e da fome. Para facilitar a dominação do capital mundializado, procura-se enfraquecer o Estado, flexibilizar as legislações e privatizar os setores rentáveis dos bens públicos.

    O Brasil sob o governo de Fernando Henrique Cardoso embarcou alegremente neste barco a ponto de no final de seu mandato quase afundar o Brasil. Para dar certo, ele postulou uma população menor do que aquela existente. Cresceu a multidão dos excluidos. Os pequenos ensaios de inclusão foram apenas ensaios para disfarçar as contradições inocultáveis.

    Os portadores deste projeto são aqueles partidos ou coligações, encabeçados pelo PSDB que sempre estiveram no poder com seus fartos benesses. Este projeto prolonga a lógica do colonialismo, do neocolonialismo e do globocolonialismo pois sempre se atém aos ditames dos paises centrais.

    José Serra, do PSDB, representa esse ideário. Por detrás dele estão o agrobusiness, o latifúndio tecnicamente moderno e ideologicamente retrógrado, parte da burguesia financeira e industrial. É o núcleo central do velho Brasil das elites que precisamos vencer pois elas sempre procuram abortar a chance de um Brasil moderno com uma democracia inclusiva.

    O outro projeto é o da democracia social e popular do PT. Sua base social é o povo organizado e todos aqueles que pela vida afora se empenharam por um outro Brasil. Este projeto se constrói de baixo para cima e de dentro para fora. Que forjar uma nação autônoma, capaz de democratizar a cidadania, mobilizar a sociedade e o Estado para erradicar, a curto prazo, a fome e a pobreza, garantir um desenvolvimento social includente que diminua as desigualdades. Esse projeto quer um Brasil aberto ao diálogo com todos, visa a integração continental e pratica uma política externa autônoma, fundada no ganha-ganha e não na truculência do mais forte.

    Ora, o governo Lula deu corpo a este projeto. Produziu uma inclusão social de mais de 30 milhões e uma diminuição do fosso entre ricos e pobres nunca assistido em nossa história. Representou em termos políticos uma revolução social de cunho popular pois deu novo rumo ao nosso destino. Essa virada deve ser mantida pois faz bem a todos, principalmente às grandes maiorias, pois lhes devolveu a dignidade negada.

    Dilma Rousseff se propõe garantir e aprofundar a continuidade deste projeto que deu certo. Muito foi feito, mas muito falta ainda por fazer, pois a chaga social dura já há séculos e sangra.

    É aquí que entra a missão de Marina Silva com seus cerca de vinte milhões de votos. Ela mostrou que há uma faceta significativa do eleitorado que quer enriquecer o projeto da democracia social e popular. Esta precisa assumir estrategicamente a questão da natureza, impedir sua devastação pelas monoculturas, ensaiar uma nova benevolência para com a Mãe Terra. Marina em sua campanha lançou esse programa. Seguramente se inclinará para o lado de onde veio, o PT, que ajudou a construir e agora a enriquecer. Cabe ao PT escutar esta voz que vem das ruas e com humildade saber abrir-se ao ambiental proposto por Marina Silva.

    Sonhamos com uma democracia social, popular e ecológica que reconcilie ser humano e natureza para garantir um futuro comum feliz para nós e para a humanidade que nos olha cheia de esperança.

    (*) Leonardo Boff é teólogo

     
  • wmporto 9:42 em 06/10/2010 Link Permanente | Responder  

    Operação Chumbo Impune 

    Eduardo Galeano

    Para se justificar, o terrorismo do Estado fabrica terroristas: semeia ódio e colhe álibis. Tudo indica que esta carnificina de Gaza, que segundo seus autores quer acabar com os terroristas, conseguirá multiplicá-los.

    Desde 1948, os palestinos vivem condenados à humilhação perpétua. Não podem nem respirar sem permissão. Perderam sua pátria, suas terras, sua água, sua liberdade, seu tudo. Sequer tem o direito de escolher seus governantes. Quando votam em quem não devem votar, são punidos. Gaza está sendo punida. Converteu-se em uma ratoeira sem saída, desde que o Hamas ganhou de forma justa as eleições no ano de 2006. Algo semelhante ocorreu em 1932, quando o Partido Comunista ganhou as eleições em El Salvador. Banhados em sangue, os salvadorenhos expiaram sua má conduta e desde então viveram submetidos às ditaduras militares. A democracia é um luxo que nem todos merecem.

    São filhos da impotência, os foguetes caseiros que os militantes do Hamas, encurralados em Gaza, disparam com pouca pontaria sobre as terras que eram palestinas e que a ocupação israelense usurpou. E o desespero, à beira da loucura suicida, é a mãe das bravatas que negam o direito à existência de Israel, gritos sem nenhuma eficácia, enquanto a muito eficiente guerra de extermínio vem negando, há anos, o direito à existência da Palestina.

    Pouca Palestina resta. Passo a passo, Israel a está exterminando do mapa.

    Os colonos invadem, e atrás deles os soldados vão consertando a fronteira. As balas consagram os restos mortais, em legítima defesa.

    Não há guerra agressiva que não diga ser guerra defensiva. Hitler invadiu a Polônia para evitar que esta invadisse à Alemanha. Bush invadiu o Iraque para evitar que este invadisse o mundo. Em cada uma das suas guerras defensivas, Israel engoliu outro pedaço da Palestina e, os almoços seguem. A comilança se justifica pelos títulos de propriedade que a Bíblia outorgou, pelos dois mil anos de perseguição que o povo judeu sofreu, e pelo pânico gerado pelos palestinos na espreita.

    Israel é o país que jamais cumpre as recomendações nem as resoluções das Nações Unidas, e que nunca acata as sentenças dos tribunais internacionais, que zomba do direito internacional, e é também o único país que legalizou a tortura dos prisioneiros.

    Quem lhe deu o direito de negar todos os direitos? De onde vem a impunidade com que Israel está executando a matança de Gaza? O governo espanhol não poderia bombardear impunemente o País Basco para acabar com o ETA, nem o governo britânico poderia devastar a Irlanda para liquidar ao IRA. Por acaso a tragédia do Holocausto implica uma apólice de eterna impunidade? Ou esse sinal verde provêm da potência manda chuva que tem em Israel o mais incondicional dos seus servos?

    O exército israelense, o mais moderno e sofisticado do mundo, sabe quem mata. Não mata por erro. Mata por horror. As vítimas civis são chamadas de danos colaterais, segundo o dicionário de outras guerras imperiais. Em Gaza, de cada dez danos colaterais, três são crianças. E somam-se os milhares de mutilados, vítimas da tecnologia do esquartejamento humado, que a indústria militar está testando com êxito nesta operação de limpeza étnica.

    E como sempre, sempre o mesmo: em Gaza, cem a um. A cada cem palestinos mortos, há um israelense.

    Gente perigosa, adverte outro bombardeio, a cargo dos meios massivos de manipulação, que nos chamam a acreditar que uma vida israelense vale tanto quanto cem vidas palestinas. E esses meios também nos chamam a crer que são humanitárias as duzentas bombas atômicas de Israel, e que uma potência nuclear chamada Irã foi a que devastou Hiroshima e Nagasaki.

    A chamada comunidade internacional, existe?

    É algo mais que um clube de mercadores, banqueiros e guerreiros? É algo mais que o nome artístico que os EUA se autodenominam quando fazem teatro?

    Diante da tragédia de Gaza, a hipocrisia mundial aparece mais uma vez. Como sempre, a indiferença, os discursos vazios, as declarações ocas, as declamações bombásticas, as posturas ambíguas, rendem tributo à sagrada impunidade.

    Diante da tragédia de Gaza, os países árabes lavam suas mãos. Como sempre. E como sempre, os países europeus esfregam as mãos.

    A velha Europa, tão capaz de beleza e de perversidade, derrama uma que outra lágrima enquanto secretamente celebra esta jogada de mestre. Porque a caça aos judeus foi sempre um costume europeu, mas há meio século atrás essa dívida histórica está sendo cobrada dos palestinos, que também são semitas e que nunca foram, nem são, anti-semitas.

    Eles estão pagando, com sangue, uma conta alheia.

     
  • wmporto 23:30 em 24/09/2010 Link Permanente | Responder  

    Manifesto de Leonardo Boff 

    O QUE PRETENDE A MÍDIA COMERCIAL
    TEXTO DE FREI LEONARDO BOFF(*)

    A mídia comercial em guerra contra Lula e Dilma

    Sou profundamente pela liberdade de expressão em nome da qual fui punido com o "silêncio obsequioso"pelas autoridades do Vaticano. Sob risco de ser preso e torturado, ajudei a editora Vozes a publicar corajosamente o "Brasil Nunca Mais" onde se denunciavam as torturas, usando exclusivamente fontes militares, o que acelerou a queda do regime autoritário.

    Esta história de vida, me avaliza para fazer as críticas que ora faço ao atual enfrentamento entre o Presidente Lula e a midia comercial que reclama ser tolhida em sua liberdade. O que está ocorrendo já não é um enfrentamento de idéias e de interpretações e o uso legítimo da liberdade da imprensa. Está havendo um abuso da liberdade de imprensa que, na previsão de uma derrota eleitoral, decidiu mover uma guerra acirrada contra o Presidente Lula e a candidata Dilma Rousseff. Nessa guerra vale tudo: o factóide, a ocultação de fatos, a distorção e a mentira direta.

    Precisamos dar o nome a esta mídia comercial. São famílias que, quando vêem seus interesses comerciais e ideológicos contrariados, se comportam como "famiglia" mafiosa. São donos privados que pretendem falar para todo Brasil e manter sob tutela a assim chamada opinião pública. São os donos do Estado de São Paulo, da Folha de São Paulo, de O Globo, da revista Veja na qual se instalou a razão cínica e o que há de mais falso e chulo da imprensa brasileira. Estes estão a serviço de um bloco histórico, assentado sobre o capital que sempre explorou o povo e que não aceita um Presidente que vem deste povo. Mais que informar e fornecer material para a discussão pública, pois essa é a missão da imprensa, esta mídia empresarial se comporta como um feroz partido de oposição.

    Na sua fúria, quais desesperados e inapelavelmente derrotados, seus donos, editorialistas e analistas não têm o mínimo respeito devido à mais alta autoridade do pais, ao Presidente Lula. Nele vêem apenas um peão a ser tratado com o chicote da palavra que humilha.

    Mas há um fato que eles não conseguem digerir em seu estômago elitista. Custa-lhes aceitar que um operário, nordestino, sobrevivente da grande tribulação dos filhos da pobreza, chegasse a ser Presidente. Este lugar, a Presidência, assim pensam, cabe a eles, os ilustrados, os articulados com o mundo, embora não consigam se livrar do complexo de vira-latas, pois se sentem meramente menores e associados ao grande jogo mundial. Para eles, o lugar do peão é na fábrica produzindo.

    Como o mostrou o grande historiador José Honório Rodrigues (Conciliação e Reforma) "a maioria dominante, conservadora ou liberal, foi sempre alienada, antiprogresssita, antinacional e nãocontemporânea. A liderança nunca se reconciliou com o povo. Nunca viu nele uma criatura de Deus, nunca o reconheceu, pois gostaria que ele fosse o que não é. Nunca viu suas virtudes nem admirou seus serviços ao país, chamou-o de tudo, Jeca Tatu, negou seus direitos, arrasou sua vida e logo que o viu crescer ela lhe negou, pouco a pouco, sua aprovação, conspirou para colocá-lo de novo na periferia, no lugar que contiua achando que lhe pertence (p.16)".

    Pois esse é o sentido da guerra que movem contra Lula. É uma guerra contra os pobres que estão se libertando. Eles não temem o pobre submisso. Eles tem pavor do pobre que pensa, que fala, que progride e que faz uma trajetória ascendente como Lula. Trata-se, como se depreende, de uma questão de classe. Os de baixo devem ficar em baixo. Ocorre que alguém de baixo chegou lá em cima. Tornou-se o Presidene de todos os brasileiros. Isso para eles é simplesmente intolerável.

    Os donos e seus aliados ideológicos perderam o pulso da história. Não se deram conta de que o Brasil mudou. Surgiram redes de movimentos sociais organizados de onde vem Lula e tantas outras lideranças. Não há mais lugar para coroneis e de "fazedores de cabeça" do povo. Quando Lula afirmou que "a opinião pública somos nós", frase tão distorcida por essa midia raivosa, quis enfatizar que o povo organizado e consciente arrebatou a pretensão da midia comercial de ser a formadora e a porta-voz exclusiva da opinião pública. Ela tem que renunciar à ditadura da palabra escrita, falada e televisionada e disputar com outras fontes de informação e de opinião.

    O povo cansado de ser governado pelas classes dominantes resolveu votar em si mesmo. Votou em Lula como o seu representante. Uma vez no Governo, operou uma revolução conceptual, inaceitável para elas. O Estado não se fez inimigo do povo, mas o indutor de mudanças profundas que beneficiaram mais de 30 milhões de brasileiros. De miseráveis se fizeram pobres laboriosos, de pobres laboriosos se fizeram classe média baixa e de classe média baixa de fizeram classe média. Começaram a comer, a ter luz em casa, a poder mandar seus filhos para a escola, a ganhar mais salário, em fim, a melhorar de vida.

    Outro conceito inovador foi o desenvolvimento com inclusão soicial e distribuição de renda. Antes havia apenas desenvolvimento/crescimento que beneficiava aos já beneficiados à custa das massas destituidas e com salários de fome. Agora ocorreu visível mobilização de classes, gerando satisfação das grandes maiorias e a esperança que tudo ainda pode ficar melhor. Concedemos que no Governo atual há um déficit de consciência e de práticas ecológicas. Mas importa reconhecer que Lula foi fiel à sua promessa de fazer amplas políticas públicas na direção dos mais marginalizados.

    O que a grande maioria almeja é manter a continuidade deste processo de melhora e de mudança. Ora, esta continuidade é perigosa para a mídia comercial que assiste, assustada, o fortalecimento da soberania popular que se torna crítica, não mais manipulável e com vontade de ser ator dessa nova história democrática do Brasil. Vai ser uma democracia cada vez mais participativa e não apenas delegatícia. Esta abria amplo espaço à corrupção das elites e dava preponderância aos interesses das classes opulentas e ao seu braço ideológico que é a mídia comercial. A democracia participativa escuta os movimentos sociais, faz do Movimento dos Sem Terra (MST), odiado especialmente pela VEJA faz questão de não ver, protagonista de mudanças sociais não somente com referência à terra mas também ao modelo econômico e às formas cooperativas de produção.

    O que está em jogo neste enfrentamento entre a midia comercial e Lula/Dilma é a questão: que Brasil queremos? Aquele injusto, neocoloncial, neoglobalizado e no fundo, retrógrado e velhista ou o Brasil novo com sujeitos históricos novos, antes sempre mantidos à margem e agora despontando com energias novas para construir um Brasil que ainda nunca tínhamos visto antes.

    Esse Brasil é combatido na pessoa do Presidente Lula e da candidata Dilma. Mas estes representam o que deve ser. E o que deve ser tem força. Irão triunfar a despeito das má vontade deste setor endurecido da midia comercial e empresarial. A vitória de Dilma dará solidez a este caminho novo ansiado e construido com suor e sangue por tantas gerações de brasileiros.

    (*) Teólogo, filósofo, escritor e representante da Iniciativa Internacional da Carta da Terra.

     
  • wmporto 11:01 em 17/11/2009 Link Permanente | Responder  

    Pense por si mesmo 

    "Tenhais confiança não no mestre, mas no ensinamento.
    Tenhais confiança não no ensinamento, mas no espírito das palavras.
    Tenhais confiança não na teoria, mas na experiência.
    Não creiais em algo simplesmente porque vós ouvistes.
    Não creiais nas tradições simplesmente porque elas têm sido mantidas de geração para geração.
    Não creiais em algo simplesmente porque foi falado e comentado por muitos.
    Não creiais em algo simplesmente porque está escrito em livros sagrados; não creiais no que imaginais, pensando que um Deus vos inspirou.
    Não creiais em algo meramente baseado na autoridade de seus mestres e anciãos.
    Mas após contemplação e reflexão, quando vós percebeis que algo é conforme ao que é razoável e leva ao que é bom e benéfico tanto para vós quanto para os outros, então o aceiteis e façais disto a base de sua vida."

    Gautama Buddha – Kalama Sutra

     
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